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18 ° capitulo O retorno de Dona Sebastiana

O “Mimosa” entrou na Barra, e o HMS London, cujo capitão foi comunicado que no navio que ele ia escoltar estava um membro da Família Real, deu uma salva de estilo em homenagem a essa ilustre pessoa. O pessoal do porto ficou alvoroçado, pois quem seria a pessoa da Família Real que estava bordo do “Mimosa”. Uma chalupa a remos rumou para o navio recém-chegado. O Oficial da Alfandega subiu a bordo e como passageiros só encontrou Dona Sebastiana e sua pequena comitiva. Perguntou a ela, aquém conhecia, qual era o membro da Família Real que estava a bordo, e recebeu como resposta “nenhum membro da Realeza, mas penso que o Príncipe Regente quis mandar me honrar com essa salva de tiros disparador pelo HMS London.” O homem ficou perplexo. E Dona Sebastiana desceu do navio tomando seu próprio barco, onde estavam o marido e o filho, que a conduziu a terra. Eles tinham sido avisados de sua chegada pelos sinais de bandeiras realizados de bordo do “Mimosa” que foram vistos do solário d...

17 ° capitulo E a perseguida foi achada

O Bispado tinha que agradecer a Frei Agostinho por seu notável trabalho e a Mãe do Bispo teve a ideia de lhe oferecer um Igreja, uma paroquia, mas não tinha nenhuma. A Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho, fundada por iniciativa do Padre André Manoel, estava em ruinas, e ele se comprometeu com o Bispo de reergue-la, para tal foi procurar Manuel Garcia, grande proprietário de terras além da Rua da Vala, naquelas localidades agora em franca espação e desenvolvimento, para ver se ele conseguia um local de moradia condigno no Engenho Velho. Manuel tinha uma pequena casa sem luxo, com água e ensolarada, um límpido riachinho por trás dela, que havia alugado para uns ingleses pesquisadores da fauna e flora, num canto bucólico de sua fazenda de café, que poderia ceder para ele. Ela era de fácil acesso, pois ele tinha aplainado um bom caminho, que dava não só para ir a cavalo, como, também, em carroça. Agostinho pediu para vê-la, e ao vê-la se encantou com o local. Era um...

16 ° capitulo As averiguações

“Todavia, não há nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz”, pensava Agostinho que não dormiu. Estava nervoso, irritado, chegando a expelir fogo pelas vendas, como se dizia no antigamente sobre quem estava furioso. Parecia um velho Inquisidor que metia medo nos Cristãos-novos, nos judeus escondidos. Engoliu o pequeno almoço, e foi para a rua com suas vestes de sacerdote. Negro, negro como as asas da graúna, como a noite escura na Transilvânia. Com o capuz enterrado na cabeça não dava nem para ver o seu rosto branco e bonito como uma das figuras pintadas por El Greco no quadro “A Abertura do Quinto Selo”. Suas mãos estavam enfiadas nas mangas do habito, o que lhe dava um ar mais sinistro ainda. Sinistro como um urubu de Pedro no galho vendo uma vaca morrer no sertão do Cariri. Quem por ele passava se benzia imediatamente. Quem podia fugia. Era assustador. Foi a antiga Casa Paroquial de Candido. Meteu medo no padre Maciel, o novo pároco, que l...

15 ° capitulo Na Chácara dos Garcia no Engenho Velho.

Lá foi Agostinho dos Santos montado numa mula requenguela. Guiado por um simpático escravo de ganho que falava mais do que a boca, montado num jerico em final de carreira. No portão da chácara já tinha um escravo esperando por ele, que dispensou o guia e suas animálias da pior qualidade. “Sinhô. O padrão manda vossa mercê de volta num dos nossos animais”, falou o preto de cabeça branca, já bem velho, pois como diz o ditado popular: “negro quando pinta tem mais de 130", numa alusão ao surgimento tardio dos cabelos brancos nos africanos. Levou Agostinho através do bem cuidado jardim até a porta da Casa, e fazendo uma reverencia se retirou. Uma senhora vestida toda de branco, com turbante colorido a cabeça, o recebeu e o levou para uma sala avarandada com moveis de jacarandá e palhinha. Na mesa de centro, com tampo de mármore, tinha uma garrafa e copos de estanho, com suco de maracujá, que ele ofereceu, que de bom grado Agostinho aceitou. Fazia um muito calor la fora,...

14 ° capitulo Um frade sinistro a procura da verdade

A melhor defesa é o ataque. Em suas andanças Agostinho dos Santos foi ao sopé do Morro do Juramento. Lá se informou de Zaphira e da filha Nominanda. Todos foram unânimes em elogiar as duas, e que elas eram queridas pelos moradores. Perguntou se algum homem as visitava, e ficou sabendo do amanuense que visitava a casa nas segundas, quartas e sextas. Era um irmão do homem que comprou a liberdade dela, e que já havia morrido, que dava toda assistência a menina que era sua sobrinha. “Não, nenhum padre as visitava.” “Não. Ela não ia a Igreja.” “Sim foi no enterro do frade assassinado, como toda a cidade. Pura curiosidade.” “Daqui foram várias pessoas com elas.” “Quem não chorou?” “A morte de um padre, ainda mais assassinado despertava comoção, pois não??? Até a Mãe do Bispo chorou.” Nego Zé pela manhã foi correndo a casa de Zaphira e a alertou sobre Agostinho. Explicou que ele era um marau, um indivíduo repleto de expediente,. Avisou , pois   ele conhecia m...

13 ° capitulo “acto filhamento"

Com o prestígio da Intendências de Polícia não foi difícil acomodar Dona Sebastiana e sua comitiva na Corte. Ela e as moças ficaram no Convento da Ajuda, os capangas no quartel dos homens da Intendência. Eles não gostaram de ficar longe da sinhábastiana, como eles a chamavam. O encontro foi combinado para uma das salas do Paço Real, no Terreiro do Paço, atual Praça XV de novembro.   Dom José João chegou primeiro. Depois Dona Sebastiana com seu séquito completo acompanhada solenemente por Paulo Fernandes Viana, Intendente Geral de Polícia, e por Antônio Luís Pereira da Cunha, oficial da Intendência. Podia-se cortar o ar com uma faca. Reverencias, saudações de praxe, e a entrevista começou só com os dois interessados, os demais foram para a sala ao lado. A verdade foi revelada com tranquilidade. Sem choros, sem magoas, sem acusações, de maneira para lá de civilizada. Combinaram uma nova entrevista agora na presença do Príncipe Regente.    Dom João os...

12 ° capitulo O Rio de Janeiro ficou em polvorosa.

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Não há um crime, sem dois crimes, já dizia o poeta. Agostinho dos Santos, uma figura mefistofélica, ficou vagando de lá, para cá na Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fazendo perguntas aquí e acolá, que as pessoas respondiam por puro medo de sua figura. Andando pela rua Direita viu que se aproximava o séquito do Bispo, pois como era costume os populares estavam se ajoelhando e abaixando a cabeça em sinal de respeito, com os homens tirando rapidamente os chapéus a passagem do prelado. De dentro da pequena viatura coberta para duas pessoas, Dom José Joaquim abençoava a população. Em sua companhia estava sua mãe, a celebre e poderosa Mãe do Bispo. Agostinho dos Santos ajoelhou, mas ao contrário dos outros não abaixou a cabeça, muito pelo contrário a levantou bem para assim D. Ana Teodora o ver, que ao vê-lo fez um leve sinal com a cabeça de reconhecimento, e sorriu. “Enfim, tudo será descoberto. Vou saber se esse tal Candido era muito rico e onde está sua fortuna”, p...

11 ° capitulo Uma garganta cortada.

A paisana, com roupas de amanuense, Cândido frequentava a casa de Zaphira. Continuava as suas tardes de aconselhamento da senhora Catarina Garcia e Garcia.   E via seus filhos crescerem. Joaquim Garcia conseguiu comprar o cargo de Edil, sim, pois pagou uma boa soma por sua eleição a Câmara dos Vereadores. Entrou para a Irmandade da Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, e contribuiu para a construção da Igreja, pois no local só havia um oratório dedicado à Nossa Senhora da Lapa, onde os comerciantes, ou mercadores, reuniam-se para rezar. D. Ana Teodora Ramos de Mascarenhas Castelo Branco, esposa do tenente-coronel João de Mascarenhas Castelo Branco, governador da fortaleza de São José na ilha das Cobras, era uma das mulheres mais poderosa do Rio de Janeiro, até porque era mãe do Bispo D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco, 6º Bispo do Rio de Janeiro. De sua casa no Largo da Mãe do Bispo mandava e demandava à vontade, pois tinha ligações...

10 ° capitulo As gravidezes

Frei Cândido era uma fera. Gostava à beça de tchaca tchaca na butchaca e quase morreu disso depois de comer um angu feito de farinha de mandioca com carne-seca e banana. O acordo entre Catarina e Zaphira funcionava bem. Mais, as duas ficavam de butuca para ver se ele não mijava fora do pinico. Manuel Garcia começou a desconfiar que o santinho que sua filha beijava nas orientações de frei Candide era outro, não São Manuel de sua devoção, mas nada disse. Sabia da história da afilhada com “Três Pernas”, e para evitar o pior deu interesse no seu comercio a um parente, Joaquim Garcia, um leso, candidato a corno, mas ambicioso de marca maior. Aproveitou um almoço de domingo onde estava presente o frade e comunicou o casamento de Catarina com Joaquim Garcia. Silencio total. Os brindes foram feitos. Quando os convivas saíram, a rapariga que era muito atrevida questionou ao pai. “A senhorinha pensa que eu não sei do seu chamego com o frade?” “Pois sei.” “E ant...