12 ° capitulo O Rio de Janeiro ficou em polvorosa.
Não
há um crime, sem dois crimes, já dizia o poeta.
Agostinho
dos Santos, uma figura mefistofélica, ficou vagando de lá, para cá na Cidade de
São Sebastião do Rio de Janeiro, fazendo perguntas aquí e acolá, que as pessoas
respondiam por puro medo de sua figura.
Andando
pela rua Direita viu que se aproximava o séquito do Bispo, pois como era
costume os populares estavam se ajoelhando e abaixando a cabeça em sinal de
respeito, com os homens tirando rapidamente os chapéus a passagem do prelado.
De
dentro da pequena viatura coberta para duas pessoas, Dom José Joaquim abençoava
a população.
Em
sua companhia estava sua mãe, a celebre e poderosa Mãe do Bispo.
Agostinho
dos Santos ajoelhou, mas ao contrário dos outros não abaixou a cabeça, muito
pelo contrário a levantou bem para assim D. Ana Teodora o ver, que ao vê-lo fez
um leve sinal com a cabeça de reconhecimento, e sorriu.
“Enfim,
tudo será descoberto. Vou saber se esse tal Candido era muito rico e onde está
sua fortuna”, pensou a mulher.
Pela
madrugada, com a movimentação dos “Tigres”, Agostinho dos Santos foi para a
praia de Santa Luzia e acabou na birosca de Nego Zé.
Confraternizou
com as putas, com os putos, com as praças, mas nada conseguiu de Nego Zé, pois
cafetão que se preza, que é bom cafetão, não fala de cliente nem vivo, nem
morto.
Mais,
nem cu, nem língua de bêbado tem dono.
Bêbado
fala o que quer, e dá para quem ele quiser.
Em
troca de umas doses, Virginiano Dendeca contou tudo sobre Cândido Reis de
Oliveira, e sua fortuna.
E
n’amanhã seguinte o corpo Virginiano Dendeca foi encontrado boiando na ponta do
Calabouço.
Não
há um crime, sem dois crimes, já dizia o poeta, e o segundo aconteceu.
O
Rio de Janeiro ficou em polvorosa e a fofoca correu solta na rua Direita.
Rua Direita

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