14 ° capitulo Um frade sinistro a procura da verdade


A melhor defesa é o ataque.
Em suas andanças Agostinho dos Santos foi ao sopé do Morro do Juramento.
Lá se informou de Zaphira e da filha Nominanda.
Todos foram unânimes em elogiar as duas, e que elas eram queridas pelos moradores.
Perguntou se algum homem as visitava, e ficou sabendo do amanuense que visitava a casa nas segundas, quartas e sextas.
Era um irmão do homem que comprou a liberdade dela, e que já havia morrido, que dava toda assistência a menina que era sua sobrinha.
“Não, nenhum padre as visitava.”
“Não. Ela não ia a Igreja.”
“Sim foi no enterro do frade assassinado, como toda a cidade. Pura curiosidade.”
“Daqui foram várias pessoas com elas.”
“Quem não chorou?”
“A morte de um padre, ainda mais assassinado despertava comoção, pois não??? Até a Mãe do Bispo chorou.”
Nego Zé pela manhã foi correndo a casa de Zaphira e a alertou sobre Agostinho.
Explicou que ele era um marau, um indivíduo repleto de expediente,.
Avisou , pois  ele conhecia muito bem aqueles tipos sem escrúpulos, afinal já topara com muitos pela a vida a fora.
Que ela tomasse muito cuidado , pois o tal estava querendo descobrir tudo sobre a vida de Candido e dela.
A Igreja era capaz de tomar-lhe a casa se descobrisse que foi Cândido que deu para a menina, patatí-patatá.
Zaphira era destemida e o tranquilizou.
Mais, não revelou a morte de Virginiano Dendeca, o linguarudo.
Zaphira deixou Nominanda com a vizinha, e foi para o Engenho Velho, para a Chácara dos Garcia.
Catarina a recebeu, afinal tinhas filhos que eram irmãos, e unidas pelo amor ao mesmo ‘homem’ uma gostava da outra.
Contou o que Nego Zé lhe havia contado.
“Sei quem é.”
“Vi na Hospedaria do meu pai.”
 “Pode ser um marau, mas é um “homão” falou rindo demostrando que naquela jovem senhora casada ainda havia a portuguesinha assanhada.
“O que faremos?”
“Ora, a melhor defesa é o ataque. Vamos contar tudo a ele, ora bolas”,
“Contar TUDO???”
“Sim, tudo.”
“Mais, e a minha casa, as minhas economias, como ficam?”
“Eu não tenho como sustentar a Nominanda sem elas, e a Igreja vai querer tudo, pois era dinheiro de padre.”
“Bobagem. Eu digo que fui eu que dei, afinal Nominanda e Manoel Francisco são irmãos”.
“Mas tem o seu marido...”
“O paspalho quer é dinheiro, e isso se dá jeito.”
“Ó pai, ó pai. Venha cá na sala”.
Manuel Garcia entrou no aposento e levou um susto com a presença de Zaphira, da bela Zaphira.
O velho e esquecido vergalho até deu sinal de vida em meio as calças frouxas de linho.
 A filha contou toda a conversa ao pai.
“Eu bem desconfiei do camarada, ele conversando com o estafermo (era assim que ele se referia ao Joaquim) perguntou muito sobre o filho da puta, desculpe filho da puta com todo respeito”, falou o velho português. 
“Chame-o para uma reunião aqui em casa. Sei como tratar dele.”
Quando Zaphira ia chegando em casa, viu um estranho e a ele se dirigiu altaneira.
“É Inhô que quer saber sobre Frei Candido Reis Príncipe?”
“Sim, sou eu”, falou seco.
“Pois então, amanhã na hora da merenda se apresente a Chácara dos Garcia, na Freguesia do Engenho Velho, que  Inhô saberá tudo que pode e deve saber sobre o falecido”.
“O endereço é esse ?”
“Se quiser mais informações, peça a Inhô Joaquim Garcia na Venda ao lado da Hospedaria, pois é a casa onde ele mora.”
“E passar bem”, se despediu a linda mulata que a vida não havia consumido o belo corpo.
“Meu Deus, que mulher”, pensou Agostinho dos Santos, e para piorar as coisas entre suas pernas, pela primeira vez em muito e muitos anos, seu bregalho , também, deu sinal de vida.
“Que mulher, que mulher”, saiu resmungando para si mesmo.
Homem que diante de uma bela mulata, a maior das invenções luso-brasileira, seu pissalho não se manifesta não é homem de verdade.
Agostinho dos Santos na realidade Frei Agostinho da Crucificação e do Santo Sepulcro não conseguiu dormir, só pensava em Zaphira, também, falou baixinho se masturbando:
“É uma mulata de 500 talheres como dizia o velho Oliveira, de 500 talheres”.
No dia seguinte se pôs a caminho da Chácara dos Garcia.


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