18 ° capitulo O retorno de Dona Sebastiana


O “Mimosa” entrou na Barra, e o HMS London, cujo capitão foi comunicado que no navio que ele ia escoltar estava um membro da Família Real, deu uma salva de estilo em homenagem a essa ilustre pessoa.
O pessoal do porto ficou alvoroçado, pois quem seria a pessoa da Família Real que estava bordo do “Mimosa”.
Uma chalupa a remos rumou para o navio recém-chegado.
O Oficial da Alfandega subiu a bordo e como passageiros só encontrou Dona Sebastiana e sua pequena comitiva.
Perguntou a ela, aquém conhecia, qual era o membro da Família Real que estava a bordo, e recebeu como resposta “nenhum membro da Realeza, mas penso que o Príncipe Regente quis mandar me honrar com essa salva de tiros disparador pelo HMS London.”
O homem ficou perplexo.
E Dona Sebastiana desceu do navio tomando seu próprio barco, onde estavam o marido e o filho, que a conduziu a terra. Eles tinham sido avisados de sua chegada pelos sinais de bandeiras realizados de bordo do “Mimosa” que foram vistos do solário da Solar do Conde.

Uma reunião difícil.

Foi uma reunião difícil mais para Dona Sebastiana e Jean-Luc, do que para Bernardo Agostinho de Lambert.
“Minha mãe, eu já sei que não sou filho de meu pai a muito tempo”.
“Um dia no Chez Lambert, Fernadinho Oliveira, um bocudo, bêbado, me falou sobre isso, patatí-patatá..., mas ele, também, disse que não tinha prova a não ser a palavra de Dona Engrácia da Silva.”
“Só que eu não sou burro, olhando para mim ao lado de meu pai se vê que essa paternidade é impossível.”
“Meu pai é muito mais bonito do que eu, um mulato lindo e faceiro, que sou branquelo, não muito alto, meio gordinho, aliás muito parecido com as pinturas que representam o Príncipe Regente, sobrinho do Duque.”
“E da senhora só herdei a firmeza de caráter.”
“Mulato lindo e faceiro”, falou sorrindo Jean-Luc.
“Mas é verdade, meu pai, o senhor é um homem bonito, e eu sou um “portuguesinho” nascido na Bahia como muitos que sobem e descem nas ladeiras de Salvador”, completou o moço sorrindo.
“E tem mais, Jean-Luc de Lambert será sempre o meu pai.”
“Tenho orgulho de ser o único filho de Monsieur de Lambert.”
“Quanto a senhora, minha mãe, só tenho que agradecer a Deus por ser seu filho.”
“E quanto as benesses que o senhor Dom José João lhe deu ???”.
“Vou aceitar. Não sou tolo. Vivemos numa Monarquia Absoluta e Títulos, Herdades, Honras e Mercês, tem o seu valor. Serei um de Lambert, mas Marquês e Conde de Vila Nova da Ria Formosa, no Algarve”.
“Então se é o que você quer, então assim será”.
No dia seguinte os de Lambert foram ao Palácio do Governador, e mostraram os documentos da Corte com a Chancela do Príncipe Regente, do Rei d’Armas, e outros altos funcionários no Rio de Janeiro.

O Governador ficou impressionado e mandou publicar a chegada a Bahia dos documentos, ordenando que todas as autoridades civis, militares, eclesiásticas, daquele momento em diante, prestassem as Honras que Sua Excelência Dom Manuel Agostinho de Lambert, Marquês da Torre da Vila Nova da Ria Formosa, Conde de Vila Nova da Ria Formosa, senhor do senhorio da Torre de Vila Nova da Ria Formosa, no Algarve, tem direito por Carta Regia assinada pelo Príncipe Regente.
Causou alvoroço a publicação.
Contudo um viajante estranho, e seu acompanhante mais estranho ainda, hospedado na Grande Estalagem Oliveira ficou furioso.
Quem seria esse homem?
E assim se conta mais uma História passada na Bahia, sempre a Bahia, mas no Aprazível Brasil Joanino.

Fim.


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