8 ° capitulo O Rio do Sapeca- iaiá
O
clima no Rio de Janeiro é tropical, com dias quentes e úmidos, sofre o efeito
da maritimidade devido estar à beira do Oceano Atlântico, a maresia, o forte
odor que se desprende do mar, um cheiro que entra pelas narinas de maneira
violenta e provoca uma sexualidade jamais sentida em outro local.
No
tempo de El-Rey ele não era desmatado como hoje, e o choque do vento do mar com
o ar da montanha fazia com que o sexo, somente o sexo, fosse o bálsamo para
essa situação, por isso era um sapeca- iaiá danado.
Os
compadres - Manuel e Cristóvão - descobriram que uma atividade lucrativa era as
dos “tigres”, escravos que na calada da noite transportavam barris com fezes e
urina para jogá-los em praias e valas, e resolveram comprar negros que ninguém
queria para montar o serviço.
Mais,
precisavam de um capataz, de um feitor, para tomar conta deles.
Foram
falar com Tomé de Sá, que sabia de tudo que acontecia na cidade, e quando não
sabia inventava.
Tomé
os mandou falar com o patrulheiro Francisco do Rosário Serafim, que bem pago indicou
a um liberto conhecido como “Três Pernas”, porque além da pica avantajada, ele
corria da polícia como ninguém.
Ninguém
o pegava o que seria bom para fiscalizar o serviço dos escravos como feitor, já
que ele podia se deslocar com rapidez.
“E
ele está na cadeia”, informou o patrulheiro Francisco.
Depois
de uma conversa regada a agua ardente os patrícios contrataram o tal “Três
Pernas”.
O
Diabo é sujo, e um dia os de Jesus estavam em uma novena na Paroquia, mas Custódia
estava doente, por isso não foi.
Ficou
de guarda a velha Zeferina, uma galega de Pontevedra, que dormiu.
No
Brasil Colônia muitos dos quartos das moças não tinham janelas sendo que as
portas eram umas cortinas, e davam para o cômodo principal das casas que eram as
salas onde as famílias ficavam reunida.
“Três
Pernas” gritou “ó de casa”, e não houve resposta.
Abusado
começou a entrar na casa, local proibido para ele, quando viu pela cortina meio
aberta, Custódia se masturbando, e pulou dentro do quarto rapidinho.
Vendo
o ‘pilão’ a menina –moça não correu, não gritou, só abriu as pernas, e esperou
e ... a virgindade foi para o espaço.
Os
dois colocaram fogo no jacá.
O
pano que cobria o colchão de capim ficou manchado de sangue e foi levado por “Três
Pernas”.
A moçoila
estava em tal estado que nem conseguiu colocar um novo na “local do crime”, mas
estava feliz com a tabaca arreganhada.
Era
só sorriso.
Era
só felicidade.
Só
pensava em repetir a dose.
Quando
os Jesus chegaram viram Custódia dormindo com cara de anjo que segura o púlpito,
sorriram felizes um para o outro.
Toda
madrugada, depois da casa do sapateiro dormir, “Três Pernas” pulava um muro,
entrava pelo pequeno quintal e lá em um cômodo sujo, num colchão de capim velho, os dois se
encontravam e como sempre era um sapeca-iaiá danado.
A
moça tinha furor uterino, um apetite sexual excessivo, e isso agradava demais
“Três Pernas” que era viciado em sexo.
Um
belo dia, depois de uma alucinante coito, contou as aventuras de frei Cândido na Praia de Santa Luzia, da existência de Zaphira, e muitas coisas mais.
Mau
acordou, sem tomar o pequeno almoço, Custódia correu para onde estava Catarina,
na casa ao lado, e contou a novidade.
Catarina
Garcia não falou nada, nem um “é?”.
Duas
noites depois, envolta em um enorme chalé, seguiu frei até a birosca do Nego Zé, e quando a farra já
ia alta se pôs de pé em frente da mesa onde estava Cândido e Zaphira.
Todos
levaram um susto do Capeta, ante aquela mocinha riquinha, bonitinha e
branquinha.
Catarina
era conhecida por ter pavio curto, por ser uma portuguesinha de cabelo na
venta, que não levava desaforo para casa, mas estava fria como uma pedra de
gelo.
Sentou-se.
“Você
o ama, como eu o amo. Portanto terça, quinta e sábado, ele é meu. Segunda,
quarta, sexta, ele é seu. Domingo é da Igreja. É assim que vai ser de hora em
diante. Nada de mentiras senhor Cândido, nada de mentira nem para mim, nem para
ela.”
“Mas,
tem uma coisa, se entrar outra mulher nessa história eu a mato.”
“E
eu ajudo”, falou Zaphira.
Catarina
Garcia se levantou com dignidade, e voltou para casa escoltada por um espantado
“Três Pernas”.
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