7° capitulo A portuguesinha assanhada


A portuguesinha dos Garcia era assanhada como que, pois ela tinha fogo entre as pernas e pilas na cabeça, ela queria mesmo é remexer.
Manuel Garcia não sabia como agir desde da morte de sua mulher, a dona Gracinda.
Dona Margarida, sua irmã, também, não sabia o que fazer, e vivia pedindo conselho ao frei Américo Bordallo, um velho sacerdote português sujo, fedorento, casposo, babão, com mau hálito, que só usava sandálias mostrando aquelas unhas pedras e um cascão que nem caco de telha conseguiria remover.
Frei Candido Reis Príncipe era seu auxiliar .
Um jovem sacerdote vindo de Arcos de Valdevez, ao norte de Portugal, e de onde se diz “Arcos de Valdevez Onde Portugal se Fez”, e Frei Candido era um frade limpo e cheiroso, bonitão alto, de pele clara, cabelos castanhos escuros, uma barbicha e bigode á lá mosqueteiro do Rei de França, com olhos profundos que geravam um olhar penetrante que deixava as moças excitadas e os moços com medo que seus pecados íntimos fossem descobertos.
Catarina, era esse o nome da portuguesinha, era vidrada nele, pois tinha fetiches com padres e frades, todavia, não consegui nunca com ele confessar.
A padrecada, meio obtusa e glutona, uns “fila-boia”, que costumavam ir à casa de conhecidos para comer de graça, tinham um trabalho danado nessa Rio de Janeiro tropical, onde os escravos negros e fortes que em sua maioria andava com os torços nus, calças largas, sem roupa de baixo, ou de tangas, com os pudendos balangando de lá para cá.
E eles tinham um trabalho danado nessa Rio de Janeiro tropical, onde as escravas vestidas livremente, andando de lá para cá, com o suor doirando brilhando sobre suas peles negras, ou amarronzadas, com seus cheiros de fruta madura, de manga-rosa, de cajá-manga, de sapoti, ou de jasmim, de hálitos com o cheiro e gosto de cravo da Índia.
Com essas escravas, ou libertas, negras vindas da África que eram mulheres belas como o nascer da lua sobre Baia da Guanabara.
E o frei Cândido as apreciava muito.
A noitinha, envolto em uma capa española negra e um chambergo enterrado na cabeça, se misturava aos “tigres”, escravos que na calada da noite transportavam barris com fezes e urina para jogá-los em praias e valas.
Rumava para o canto mais longínquo da Praia de Santa Luzia, onde marafonas de todas as idades prestavam seus serviços aos homens da Guarda do Vice- Rey  aquartelada na Fortaleza antiga de São Thiago, ou Forte de São Tiago da Misericórdia, aos pés do morro do Descanso, depois morro do Castelo.
Na birosca do Nego Zé, um liberto, se misturava com os homens do matadouro que ali existia, e às “praças de pré” que estavam de folga, bebendo aguardente, tocando viola e cantando até quase ao raiar do sol.     
Frei Cândido era forte para bebida, mas, também, dela não abusava, e no único dia em que abusou se trumbicou.
Ao celebrar a sua missa diária estava fresco como uma rosa em flor, de tal maneira que ninguém poderia imaginar que ele havia passado a noite na esbórnia.
Zaphira, uma neguinha bonita e alegre como um raio de sol, ao vê-lo chegar dele se adonava, não o largando até o final da pandega, estava apaixonada, e amor de puta é igual carrapato em menino, difícil de tirar.
Frei Bordallo ficou constipado, tanto nasal, quanto intestinal, e baixou ao leito.
Frei Candido assumiu todos os trabalhos na Igreja, inclusive de confessar as donzelas, mal amadas e velhotas assanhadas. 
Nunca se viu tanta mulher, de todas as idades, casadas e ou solteiras, viúvas ou encalhadas, se confessar naquela Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres.
Foi um espanto até para  Reginaldo e quem era esse?
Reginaldo nasceu canalha.
Era um mau-caráter
Velhaco que roubava esmola de cego e doce de criança.
Como era desprovido de moral saqueava a bolsa de esmola que passava em meio aos fiéis.
E gostava de fazer chantagem com os conhecidos, sendo seu alvo preferido os membros da família Prazeroso.
Reginaldo fazia tudo por dinheiro, tudo mesmo.
Era um pilantra.
Giordani seu pai era um camarada que fugiu de Roma porque meteu a mão no ouro de um boticário, dono da botica que ele era aprendiz, e a justiça estava atrás dele.
No Rio de Janeiro montou botica e ganhou dinheiro.
O esperto Reginaldo farejou algo no novo padre e dele se aproximou.
Se tornaram amigos.
Foi um espanto.
Catarina Garcia foi avisada da boa nova por sua amiga Rosa, filha de seus padrinhos, Manoel Lopes de Oliveira e Dona Maria Joaquina.
Manuel Garcia tinha um armazém de secos e molhados (ramo de comércio que abrange armazéns de produtos diversos, inclusive tabaco, e lojas de comestíveis, que por muitos é chamado de ‘venda’), e seu compadre Cristóvão de Jesus, casado com Etelvina da Luz, era o melhor sapateiro da cidade do Rio de Janeiro.
Manuel era padrinho da filha do casal, Custódia.
Seus estabelecimentos eram vizinhos, em prédios semelhantes.
Manuel Garcia e o compadre Cristóvão de Jesus eram amigos de um procurador/tesoureiro da Câmara que sempre se reelegia, Tomé de Sá.
Tomé de Sá que se dizia da família de Estácio de Sá, fundador e primeiro governador-geral da cidade do Rio de Janeiro, na realidade não fazia parte dessa família aristocrata, pois ele adotou o sobrenome Sá no momento que desembarcou no Rio de Janeiro.
É a vida.
Esperto como ele só era daquele tipo que tirava proveito de seu cargo, e por uma boa comissão vendia boas terras ‘para lá da vala’ aos seus dois amigos, que anteviam que a cidade ia crescer para aqueles lados.
Os patrícios estavam se tornando grandes proprietários nas terras que ninguém queria com medo de uma invasão como aconteceu a do corsário Jean-François Duclerc em meados de agosto de 1710.
Mais, voltemos as moçoilas:
Catarina Garcia logo pegou a mantilha branca de donzela, e correu para se confessar.
Já tinha acabado o horário das confissões, mas a igreja ainda estava cheia das beatas e dos carolas rezando e fofocando para valer. 
Mais, a mocinha insistiu tanto com o frade, que ele voltou para o confessionário.   
Não era hora de badalar o sino chamando os fiéis para suas obrigações religiosas, mas umas estrondosas badaladas foram ouvidas vindas do confessionário pelas beatas e pelos carolas, que aí sim, começaram a fofocar com razão.   
Ela saiu rindo, e ele mais vermelho do que camarão.
Daquele dia em diante frei Cândido passou a ser o orientador espiritual da filha do Garcia da Venda.
Dava “orientação” a moça as terças, quintas e sábado.
A moçoila ficou tão pia que causava admiração dos paroquianos, e felicidade dos familiares.

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