6 ° capitulo Um fidalgo oficial da Intendência na Bahia.

O fidalgo Antônio Luís Pereira da Cunha, com suas cartas de recomendações, foi direto procurar o recém nomeado D. Marcos de Noronha e Brito, 8º Conde dos Arcos, antigo Vice-Rey no Rio de Janeiro, homem de grande tirocínio e do agrado de Dom João.
As cartas de apresentação eram de Sua Alteza o Duque de Brigância e de Paulo Fernandes Viana, Intendente Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil, membro da Ordem de Cristo, Conselheiro do Paço em nome do Príncipe-Regente.
Um subalterno o levou com toda pompa para a Grande Estalagem Oliveira onde foi recebido por Fernandinho Oliveira, um bom rapaz, mas que falava demais.
Perguntado sobre Dona Sebastiana e família, Fernandinho Oliveira falou o que sabia e o que não sabia.
Pereira da Cunha perguntou sobre Engrácia da Silva, Fernandinho Oliveira falou o que sabia e o que não sabia.
Como poderia ele conhecer essas pessoas.
“Na Festa da Irmandade daqui em 15 dias.”
No dia seguinte, Pereira da Cunha, voltou a presença do Governador e pediu para ser apresentado a Engrácia da Silva e a Dona Sebastiana no dia da Festa da Irmandade, e a noite foi ao Chez Lambert.
Ao Chez Lambert foi acompanhado de José Joaquim Passos, secretário do Conde dos Arcos para os negócios da instrução, da educação, na Bahia, que o apresentou a Jean-Luc de Lambert.
Foi conversa de cobra comendo cobra a de Pereira da Cunha com Monsieur Lambert.
Em dado momento Lambert perguntou na lata a Pereira da Cunha o porquê realmente ele estava na Bahia, pois não era comum um fidalgo, um oficial superior da Intendência, homem da Corte desde Lisboa, chegar a Bahia e fazer todas as perguntas que ele estava fazendo, principalmente, sobre sua família, uma família que todos conheciam o histórico, como havia lhe revelado Fernandinho Oliveira a pouco, pouco antes deles chegarem.
Pereira da Cunha não mentiu, não enrolou, e falou o que sabia.
“Muito bem”, disse Lambert.
“Vamos para um lugar mais reservado.”
Depois de uma conversa que não demorou nem meia hora, Pereira da Cunha saiu com a promessa de que Dona Sebastiana o receberia no Solar do Conde.
Mais, tinha uma condição.
Ele tinha que deixar Engrácia da Silva fora dessa situação.
O Intendente concordou.
De Lambert foi para casa de cabeça quente.
O Solar tinha sido reformado e lhe foi acrescentado um solário, um lugar adaptado para banhos de sol, na realidade um terraço, que podia ser coberto ou não, na parte mais alta da casa.
No café d’amanhã pediu a Sebastiana para subir até o solário, um cômodo fresco graças as janelas de treliças por onde corria uma suave brisa, que ficava no alto da casa com uma maravilhosa vista do mar, da Barra, pois precisava ter um particular com ela.
Jean-Luc contou tudo que tinha ouvido de Antônio Luís Pereira da Cunha.
“Isso não podia acontecer, ele é meu filho.”
“Nosso filho”.
“Sebastiana, lembra-se o que a senhora minha mãe falou?”
“Que Bernardo Agostinho é um fidalgo, é neto de Reis, que qualquer erro quanto ao seu nascimento poderia trazer grandes problemas futuros para ele?”
“Que foi por isso que nos casamos?”
“Sim, Jean, mas que tem isso tudo?”
“Então. Mãezene conversou comigo e afirmou que um dia o pai verdadeiro poderia descobrir a existência dele, e que nessa hora eu tinha que aconselha-la a dizer a verdade tanto para Dom José, quanto para Bernardo Agostinho.”
“MAIS VOCE É O PAI”, falou gritando Sebastiana que nunca, jamais, em tempo algum havia berrado com o marido sobre quem ela dizia para quem quiser ouvir que “fui agraciada por Deus por Ele ter dado a vida a Jean. A senhora sabia que Jean quer dizer “a graça e misericórdia de Deus”, não sabia? Pois é, Ele me abençoou com a vida de meu marido.”
E continuou.
“Foi você que criou.”
“Foi você que na doença ficou com ele.”
“Foi você que deu bons exemplos.”
“É a você que ele ama como pai.”
“Se ele me amar vai entender, e vai continuar me amado”. 
“Não tem jeito senhora minha esposa, Vossa Mercê tem que contar.”
“NÃO CONTO, NÃO CONTO, ELE É NOSSO FILHO”.”
E se abraçou com Jean-Luc.
“Vossa Mercê quer me desmoralizar?”
“Nunca. Eu o amo”.
“Então receba o Intendente que veio da Corte, do Rio de Janeiro, e converse com ele, por favor, por mim”.
“Jean, você acha que devo?”
“Deve, era o que Mãezene a aconselharia.”
“Então, mande chama-lo hoje à tarde no Chez Lambert que eu estarei lá.”
Foi a vez de Jean-Luc se espantar.
“Dona Sebastiana, vossa mercê nunca lá foi....”
“Mais, agora vou por nosso filho.”
 E a entrevista aconteceu.
“Muito bem, senhor Pereira da Cunha. Eu vou com vossa mercê para a Corte, para o Rio de Janeiro, encontrar o Duque de Brigância.”
“Vai?”
“Vou. Mandarei comprar passagens no primeiro navio que para lá for.”
E assim aconteceu....
Sebastiana acompanhada de Maricota, Bieca, Zé Pernambuco, Vasco, Vicente, Viriato, as mucamas e os guardas,  e mais Antônio Luís Pereira da Cunha, embarcaram no Três-Corações rumo a Corte do Rio de Janeiro escoltado pelo HMS Lond

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