1° Os Bastardos
“O topónimo que significa "Porto de Cale", que se
julga ser um nome híbrido formado por um termo latino (Portus,
"porto") e outro grego (καλός, transl. kalós, "belo"),
donde qualquer coisa como "Porto Belo.”
O povoado na foz do rio Douro e tinha o nome de Portus Cale.
Portucale – Leovigildo, Rei dos Visigodos do Reino de Toledo
no período de 569 d.C. a 586 d.C., fortaleceu a autoridade real em toda a
Hispânia, e seus sucessores cunharam moeda com a legenda Portucale.
A forma a Portugale
apareceu pela primeira fez em documentos do século VII para o VIII.
A Invasão Islâmica da Península Ibérica, a partir de 711 a.D., encontra
sede da Diocese Portucalense, de 572 a.D. ( hoje Diocese do Porto) ,
situada na província da Galécia ( região localizada no noroeste da antiga
Hispânia, um território que corresponde aproximadamente ao da moderna região do
norte de Portugal e da Galiza, Astúrias e Leão na Espanha), e tendo por
metropolita ( Um Bispo que tem certas
prerrogativas sobre os Bispos da sua província eclesiástica) o Bispo de Braga,
a Diocese de Braga data do século III.
Presúria é um termo referente à Reconquista Cristã da
Península Ibérica aos invasores Islâmicos.
O asturiano Vímara Peres, senhor da guerra, vassalo de
Alfonso III, Rei de Astúrias, Magno, empreendeu uma presúria sobre as terras ao
sul do Minho para retomar o vale do Douro, a Portugália, e saiu vencedor.
Fundou Vimaranis, vila fortificada nas proximidades de Braga,
“que ao longo do tempo, através da evolução fonética, tornou-se Guimarães, a
cidade ligada na mitologia nacional portuguesa como "Berço de
Portugal".
Assim essa Reconquista passou a ser o Condado Portucalense em
868.
No mesmo ano por bons serviços, reconquistou e repovoou a
Portus Cale (cidade do Porto) Vímara Peres foi nomeado por Alfonso III primeiro
Conde de Portucale.
A descendência de Vímara Peres esteve à frente do Condado até
1071 com Nuno Mendes, derrotado pelo rei Garcia da Galiza na Batalha de Pedroso
de a 18 de janeiro de 1071 perto da freguesia de Mire de Tibães, hoje concelho
de Braga.
O Condado Portucalense foi restaurado para Henrique de
Borgonha, Conde de Portucale, ou o Conde D. Henrique.
Henrique de Borgonha era bisneto de Roberto II, o Piedoso,
Rei dos Francos, e trineto de Hugo Capeto, fundador da Dinastia Capetiana, e
Adelaide da Aquitânia.
Depois da derrota na Batalha de Zalaca, de 23 de outubro de
1086, Alfonso VI de León, «el Bravo», Rey de León, de Galicia y de Castilla,
pediu auxílio a Cristandade.
Muitos nobres foram ao seu socorro e entre eles Henrique de
Borgonha e seus primos Raimundo de Saint-Gilles e Raimundo de Borgonha.
Alfonso VI, agora usando a titularidade de Imperator totius
Hispaniæ (Imperador de toda Hispânia) desde 1077 e rei de Toledo desde 1085,
tinha uma amante, Jimena Muñoz, e com ela teve duas filhas, a saber:
1-
Elvira Alfónsez (* 1079 - + depois de abril de 1157) e o Imperador a
casou em 1094 com o conde Raimundo IV de Tolosa, ou Raimundo IV de Toulouse, ou
Raimundo de Saint-Gilles, Conde de Toulouse, Marquês de Provença e um dos
líderes mais importantes da Primeira Cruzada e primeiro conde de Trípoli. Ela o
acompanhou na Cruzada. Viúva em Trípoli voltou ao reino de León, onde se casou
novamente com o conde Fernando Fernández de Carrión, de quem se separou antes
de 1121.
A última aparição de Elvira foi na
Catedral de Astorga em abril de 1157, quando ele fez uma doação dos terços de
todas as suas posses, provavelmente morrendo pouco depois;
2-
Teresa Alfónsez de León, ou Tareja de Portugal, (* 1080
- + Póvoa de Lanhoso, hoje Distrito de Braga, ou no Mosteiro de Santa Maria de
Montederramo na Galiza, 11 de novembro de 1130) e o Imperador a casou no ano de
1093 com Henrique de Borgonha, e lhes foi dado o Condado Portucalense;
Mas, o que aqui importa é que a bastarda do Imperator totius
Hispaniæ se tornou Condessa de Portucale.
Em 1112 Dona Teresa depois da morte de Henrique de Borgonha
assumiu o Título de Rainha, por Direito Próprio, assinando "Ego regina
Taresia de Portugal regis Ildefonssis filia”, fato aceito por Pascoal II, 160º
Papa da Igreja Católica, e outros.
Dona Teresa, Condessa de Portucale, com o título de Rainha, gostou
do Poder e como o pai não se frustrou em ter um amante, Fernando Pérez de
Traba, nobre Conde y Tenente en Traba y en Trastámara, com quem teve duas
filhas:
1-
Sancha Fernández de Traba, casada três vezes, embora só tenha filhos
do seu primeiro marido, o Conde Álvaro Rodríguez de Sarria;
2-
Teresa Fernández de Traba que se casou em primeiras núpcias com o Conde
Nuño Pérez de Lara e em segundo com Fernando II de León, Rey de León.
Lembremos que Dona Teresa com seu marido foi mãe de:
1)
Urraca Henriques que casou com D. Bermudo Peres de Trava;
2)
Sancha Henriques que casou com D. Sancho Nunes de Celanova e com D.
Fernão Mendes de Bragança II, senhor de Bragança;
3)
Teresa Henriques;
4)
Henrique;
5)
Afonso Henriques, o primeiro de facto Rei de Portugal, ou Afonso I
que casou com Mafalda de Saboia.
O nosso Afonso Henriques com a Rainha D. Mafalda teve sete
(7) filhos, entre eles Dom Sancho I, o Povoador, * Coimbra, 11 de novembro de 1154
- + Santarém, 26 de março de 1211, foi o segundo Rei de Portugal de 6 de
dezembro de 1185 até 26 de março de 1211, contudo por agora não é ele que nos
interessa, mas sim Dom Afonso Henriques, O Pai da Nacionalidade.
Dom Afonso Henriques, também, povoou a Terra com bastardos.
1-
Filhos com N
2-
D. Fernando Afonso
3-
D. Pedro Afonso, mestre da Ordem de Avis
4-
D. Afonso, de Portugal
5-
Filhos com Elvira Gualter
6-
D. Teresa Afonso
7-
D. Urraca Afonso, senhora de Aveiro
O Rei, Dom Sancho I, o Povoador, que casou com Dulce de
Barcelona, infanta de Aragão, com ela teve 11 filhos, mas povoou a Terra com
bastardos, a saber:
Filhos com D. Maria Pais Ribeira, a Ribeirinha:
a.
D. Rodrigo Sanches;
b.
D. Gil Sanches;
c.
D. Nuno Sanches;
d.
D. Maior Sanches;
e.
D. Teresa Sanches;
f.
D. Constança Sanches.
Filhos com Maria Aires de Fornelos;
A.
D. Martim Sanches de Portugal, conde de Trastamara;
B.
Eulalia Pérez de Castro;
C.
Urraca Sanches.
O Rei Afonso II, rei de Portugal povoou a Terra com
bastardos, a saber:
N – Um nome desconhecido- de:
1-
João Afonso
2-
D. Pedro Afonso.
O Rei D. Afonso III, rei de Portugal, povoou a Terra com
bastardos, a saber:
Filhos com N
a.
Fernando Afonso;
b.
Gil Afonso;
c.
D. Rodrigo Afonso;
d.
D. Leonor Afonso;
e.
D. Leonor Afonso;
f.
D. Urraca Afonso;
g.
D. Henrique Afonso.
Filhos com Madragana (depois Mor Afonso)
A.
Martim Afonso Chichorro;
B.
Urraca Afonso de Portugal;
Filhos com Maria Peres de Enxara
I.
Afonso Dinis;
II.
Maria Pais Ribeira.
O Rei D. Dinis, rei de Portugal, povoou a Terra com
bastardos, a saber:
Filhos com Maria Pires
1.
João Afonso, senhor da Lousã;
2.
Fernão Sanches;
3.
Froile Anes de Briteiros.
Filhos com D. Aldonça Rodrigues Talha
Filhos com D. Grácia Froes
Filhos com Marinha Gomes
O Rei D. Afonso IV, rei de Portugal, povoou a Terra com
bastardos, a saber:
Filha com N
1.
Maria Afonso de Portugal
O Rei D. Pedro I, rei de Portugal, povoou a Terra com
bastardos, a saber:
João, Mestre de Avis.
Filho com Teresa Lourenço que “segundo uns que seria filha do
mercador lisboeta Lourenço Martins, o da Praça, e segundo outros seria uma dama
galega que estava integrada no séquito de D. Inês de Castro”, portanto D. João
I, “o de Boa Memória”, consagrado
Grão-Mestre da Ordem de Avis, foi o “bastardo ” que assumiu o Trono de Portugal e do Algarve em 6 de abril de
1385 até 14 de agosto de 1433, portanto 48 anos, 4 meses e 8 dias.
O Rei Dom João I não fugiu à Regra e povoou a Terra com
bastardos, a saber:
Filhos com Inês Peres
A.
Afonso, 1º Duque de Bragança, Condes de Barcelos, Condes de Neiva,
que casou com D. Beatriz Pereira de Alvim, filha do São Nuno de Santa Maria** e
de Leonor de Alvim.
“** Nuno Álvares Pereira (O. Carmelitas),
também conhecido como o Santo Condestável, formalmente São Nuno de Santa Maria
ou simplesmente Nun' Álvares, * Paço do Bonjardim ou Flor da Rosa, 24 de junho
de 1360 - + Lisboa, 1 de novembro de 1431, nobre e general português do século
XIV.”
“Desempenhou um papel fundamental
na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela.”
“Nuno Álvares Pereira foi também
2.º Condestável de Portugal, 38.º Mordomo-Mor do Reino, 7.º conde de Barcelos,
3.º conde de Ourém e 2.º conde de Arraiolos.”
B.
Beatriz de Portugal
O que vemos aqui?
Vemos que a Sereníssima Casa de Bragança descende de um
“bastardo real”, mas um bastardo, ora pois.
Jaime, 4º duque
de Bragança, foi declarado Príncipe herdeiro de Portugal durante a viagem do
rei Manuel I a Castela, em virtude de este não ter então ainda filhos e pela à
importância da Casa Ducal de Bragança, em 1498.
E D. Jaime povoou a Terra com bastardos, a saber:
Filhos com N
1.
Madre Antónia da Encarnação
2.
Maria de Bragança.
O Rei João IV (Vila Viçosa, 19 de março de 1604 – Lisboa, 6
de novembro de 1656), apelidado de João, o Restaurador, foi o Rei de Portugal e
Algarves de 1640 até à sua morte, e Duque de Bragança entre 1630 e 1645. Teve
uma bastarda.
Filha com N
Maria de Bragança: * 30 de abril de
1644 - +7 de fevereiro de 1693, “dedicou-se à vida religiosa e está sepultada
no Convento de São João dos Carmelitas Descalços”.
O Rei D. Pedro II, “o
Pacífico", * Lisboa, 26 de abril de 1648 – + Alcântara, 9 de dezembro de
1706, Portugal e Algarves de 1683 até sua morte, entre filhos legítimos e
bastardos teve onze (11), mas fiquemos na bastardia:
Filhos
com Anne Armande de Verger
Filhos
com Francisca Clara da Silva
Filhos
com Maria da Cruz Mascarenhas
O Rei Dom João V, Rei de Portugal e Algarves de 9 de dezembro
de 1706 até 31 de julho de 1750, teve vários bastardos, a saber:
Filhos com Luisa Clara de Portugal, a Flor da Murta
D. Maria
Rita
Filhos com Luísa Inês Antónia Machado Monteiro
D.
António - um dos Meninos de Palhavã - Doutorou-se em Teologia e veio a ser
cavaleiro da Ordem de Cristo.
Filhos com Madalena Máxima de Miranda (Madalena Máxima da
Silva de Miranda Henriques)
D. Gaspar
– um dos Meninos de Palhavã - Veio a ser Arcebispo primaz de Braga.
Filhos com madre a Madre Paula de Odivelas (Paula Teresa da
Silva e Almeida)
D. José – um dos Meninos de Palhavã - Exerceu o
cargo de Inquisidor-mor.
Filhos com N : N
El-Rey dava o exemplo
de como esconder seus filhos, os enviava para um Mosteiro, para um Convento,
tendo como desculpa educa-los.
Rapidamente esclareço o que significa “Meninos da Palhavã”.
“Denominam-se Meninos de Palhavã os filhos bastardos (de sexo
masculino) de D. João V de Portugal (1706-1750), reconhecidos pelo soberano em
documento que firmou em 1742, mas que só foi publicado em 1752, após a sua
morte.”
“A expressão deriva do facto de terem habitado no palácio do Marquês
de Louriçal, na zona de Palhavã, na altura arredores de Lisboa, mas que hoje se
situa em plena cidade (o edifício - denominado Palácio da Azambuja - é hoje a
Residência do embaixador de Espanha em Lisboa, ou "Palácio dos Meninos de
Palhavã").”
“Receberam educação no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra sob
o preceptorado de Frei Gaspar da Encarnação, para se fazerem religiosos.”
“Por escrúpulos de consciência do rei, há um "Decreto
porque S. Majestade houve por bem declarar três filhos ilegítimos", dado
nas Caldas da Rainha em 6 de agosto de 1742. Considera que eram filhos de
"mulheres limpas de todo sangue infecto", pelo que pedia ao príncipe
herdeiro [futuro El-Rey Dom José I] para favorecer os irmãos. Este assim o fez
por decreto de 21 de abril de 1752, registado no livro 1º das Patentes, folio
223.”
Chamo atenção de que ao contrário de Luis XIV, Rei de França,
o senhor D. João V não “legitimou” os filhos e sim os declarou “três filhos
ilegítimos", e mesmo assim só depois de morto, e em sendo assim se vê que
o Soberano gostava daquilo a beça e morreu mais do que encantado.
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